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Os recados

Um recado é uma mensagem de texto cifrada de ponta a ponta: sai do seu dispositivo já lacrada, atravessa a rede de nós da federação — que a transportam sem conseguir abrir — e só se lê no dispositivo de quem recebeu. Chegando lá, ele fica esperando ser despachado: abre um chamado pendente na fita da outra pessoa, e um pendente só sai da fita quando é respondido ou ignorado. É essa a natureza do recado — não uma mensagem que se acumula numa lista, mas um ato que fica em aberto até alguém decidir sobre ele.

Tudo isso faz do recado a transação mais básica da carteira: como toda transação, ele sai de uma parte, chega a outra, fica registrado e pede uma decisão — só que o que ele move é texto, não dinheiro. Por isso este tópico usa o caso mais simples, o recado de texto puro: os carimbos que você aprende aqui são os mesmos que vai ver quando o recado leva uma pergunta com opções ou um X-DOC anexado.

E são os carimbos de verdade: esta página carrega a mesma folha de estilo do aplicativo, então nada aqui é ilustração — é o produto, ampliado.

O caminho de um recado

O recado é cifrado antes de sair do seu dispositivo e só é aberto no dispositivo de quem recebe — no meio do caminho, os nós da federação carregam um pacote lacrado, sem a chave e sem saber o que carregam. Um recado vai para todos os dispositivos da outra conta, e o que nenhum deles retirar em 90 dias é apagado para sempre.

SEU DISPOSITIVOREDE DE NÓS DA FEDERAÇÃOOS DISPOSITIVOS DELA
01 · a saídaO recado fica retido na sua caixa pelo tempo de arrependimento que você configurar — de 3 a 60 segundos. Passado ele, o envio é irreversível.
02 · o trânsitoGuardado na rede de nós da federação por até 90 dias, aguardando alguém buscar. Nenhum nó é dono do recado.
03 · a distribuiçãoCada dispositivo da outra conta baixa a sua cópia. O carimbo conta quantos já baixaram.
Neste tópico
  1. A anatomia do recado
  2. A saída — do seu dispositivo até a rede
  3. O trânsito — da rede até o dispositivo dela
  4. O que a outra parte fez

01A anatomia

Todo recado que você manda tem três partes: o teor, a hora e o carimbo. O teor e a hora nunca mudam depois do envio. O carimbo muda — ele é a única parte viva da bolha, e conta onde o recado está.

Fechado, te mando o arquivo hoje à noite.10:31em trânsito

Teor · hora · carimbo

O teor é o que foi dito e não se reescreve. A hora é a do ato — o instante em que você tocou em enviar, não o da entrega: se o recado passou a madrugada tentando sair, a hora continua a de quando você escreveu.

O carimbo é a única parte viva: acima ele roda o ciclo inteiro deste recado — na sua caixa, em trânsito, nos dispositivos dela, e o que ela fez. As seções seguintes destrincham cada passo.

02A saída — do seu dispositivo até a rede de nós distribuidores

Antes de chegar em qualquer lugar, o recado precisa sair daqui. Este trecho é inteiramente seu: nada do que acontece nele diz respeito à outra parte, e nada dele chegou a ser dito ainda.

na sua caixa→ tentando→ em trânsito
feito!10:31na sua caixa — distribui em 25 s
a janela que você configurou

Na sua caixa

O recado ainda não saiu do seu dispositivo. Ele fica parado à sua disposição pelo tempo de arrependimento que você escolheu — de 3 a 60 segundos, ajustável nas preferências da carteira. Enquanto a janela corre, o botão de enviar vira Cancelar envio e o recado pode ser desfeito sem deixar rastro — porque nada foi dito.

Quando ela fecha, ele parte. Depois disso não se apaga: o que saiu, saiu.

feito!10:3127 s
sem internet

Tentando · e a conta da próxima

Sem conexão, o dispositivo tenta sozinho, em segundo plano, por até 24 horas — de 5 em 5 segundos no começo, dobrando até estabilizar em 2 em 2 minutos. O número é o tempo que falta para a próxima tentativa.

Não há nada a fazer: entrou o metrô, o avião, o elevador, ele continua tentando. Voltou a rede, sai na hora. Se quiser desistir, o Cancelar envio no menu da bolha devolve o texto para você.

feito!10:31não saiu
24 horas depois, ou por sua ordem

Não saiu

A fila desistiu. A bolha continua aí, marcada — o texto que você escreveu não se perde num erro de rede; quem escreveu quer reenviar, não redigitar.

Se o recado tinha sido uma resposta na fita, o frame volta para a fila e a luz pisca: a fita existe para dizer o que falta, e um pedido sem resposta ainda falta.

Por que a hora não muda a cada tentativa. Reenviar não é um ato novo — é a mesma frase, insistindo. Se a hora fosse reescrita a cada tentativa, o registro passaria a mentir sobre quando aquilo foi dito.

03O trânsito — da rede de nós até o dispositivo dela

Saiu do seu dispositivo, o recado fica guardado na rede de nós distribuidores da federação até que algum dispositivo da outra conta o baixe. São dois carimbos diferentes de propósito: “chegou no correio” e “chegou na casa” não são a mesma coisa.

feito!10:31em trânsito
um traço

Em trânsito

O recado saiu do seu dispositivo e está na rede de nós distribuidores, aguardando a outra parte baixar. Um traço só: ele já não é seu, mas ainda não é dela.

Aqui o envio acabou — o que falta não depende mais de você nem da sua conexão.

feito!10:312 dispositivos
dois traços

Baixada por N dispositivos

Chegou. O número diz em quantos dispositivos daquela conta o recado já está — celular, computador, tablet. Entregue de verdade, não “entregue ao correio”.

Isto não quer dizer que foi lido: leitura é outro assunto, e está na seção seguinte.

feito!10:31destinatário não encontrado
90 dias depois

Destinatário não encontrado

A rede guarda o recado por 90 dias esperando alguém buscar. É um prazo generoso de propósito: férias, celular quebrado, troca de dispositivo. Passado ele, nenhum dispositivo daquela conta apareceu — a conta está abandonada e o recado não será lido.

O prazo vence, mas a bolha não some. O texto fica, só o carimbo muda: uma prova que se apaga sozinha não é prova.

Por que um traço não vira dois sozinho. Se “entregue” significasse apenas “chegou na rede”, o prazo de 90 dias transformaria o carimbo em mentira: você teria a prova de entrega de um recado que ninguém recebeu. Os dois estados existem justamente para que o vencimento possa ser dito na cara.

04O que a outra parte fez

Daqui em diante o carimbo não fala mais de transporte, e sim de decisão. Nenhum destes estados dispara ao abrir a conversa: folhear o próprio arquivo não é ato em relação a quem mandou. Eles nascem quando o recado é tocado na fita — o único instante em que a pessoa foi de fato confrontada com o seu pedido.

Consegue revisar hoje?10:31pulou
ouviu e adiou

Pulou

A outra parte ouviu o seu recado na fita e deixou para depois. Não é recusa: o seu pedido continua na fila dela, e vai voltar a aparecer.

Este carimbo existe para matar a ambiguidade do silêncio. Sem ele, “ainda não viu” e “viu e não quis” se parecem — e quem espera lê os dois como recusa.

Consegue revisar hoje?10:31ignorou
encerrou sem responder

Ignorou

A outra parte encerrou este recado sem responder. Foi uma decisão, e ela está registrada na fita dela com hora — não é desatenção nem esquecimento.

Vem grifado em amarelo, como quem passa a caneta e fecha o assunto. Nunca em vermelho: é uma escolha legítima dela, não uma falha sua.

Consegue revisar hoje?10:312 dispositivos
Consigo — te mando até as 18h.10:44
o melhor caso

A resposta

Quando a outra parte responde, a resposta chega citando o seu recado — é ela que amarra o “sim” à pergunta. Meses depois, ninguém precisa reconstruir a que aquele “consigo” se referia.

A resposta vence todos os carimbos anteriores: ela é o recibo mais forte que existe.

Por que abrir a conversa não avisa nada. Um aviso de leitura que dispara em toque acidental é ruído: obriga a escolher entre ler e não dar satisfação. Aqui o estado nasce de um ato deliberado na fita, e por isso significa alguma coisa.

Capa do Pacote Comunicação na X-Hub: um pássaro azul voando com um envelope no bico, um sino tocando e uma fita cassete com a fita desenrolada, num céu noturno estrelado. na X-Hub Pacote Comunicação O recado deste capítulo não vem sozinho: Recado, Lembrete, Fita e X-DOC dividem o mesmo assento — e nascem com toda carteira. Ver na loja →